quarta-feira, 3 de junho de 2009

Renovação da Fé.

Hoje com toda certeza é um dia especial pra mim, vou tentar explicar em detalhes esse motivo - pra mim tão festivo.
Não sou religioso, embora já tenha tentado inúmeras vezes ter esse tipo de crendice, mas tenho Fé nos "Homens", sei que já nos foi provado centenas e milhares de vezes o quanto podemos ser rudes, maldoso, dissimulados e passiveis das piores atrocidades, mas pra mim isso são atos, e esses sim são plausíveis de repulsa e rebelião, porém os homens, esse merecem que lhes creditemos Fé, não uma Fé religiosos, mas Fé de acreditar. Já a muito tempo venho cultivando um certo desdém pelos atos da Humanidade, mas hoje... hoje vi algo que deveria estar com uma maquina para fazer provar aquilo que parece ser um ato do simples cotidiano, mas que pra mim ganhou estatos de homenagem a Humanidade, na verdade posso até dizer que não foi um ato isolado, mas sim uma sequência de atos, que poderiam se estender a todos e a qualquer um.
Pois bem, vamos aos fatos... (que irei tentar descrever com riqueza de detalhes).
Por volta de nove horas da manhã desta quarta-feira sai de casa para comprar erva de chimarrão e no caminho percebi que estava acontecendo um "encontro" de jovens velhos formandos, ou algo similar, saiam do carro um senhor, que aparentava uns sessenta anos e mais duas senhoras, ambas bem "distintas", esse mesmo senhor não só abriria a porta do carro como também fez questão de ajudar essas "meninas" a saírem dele, no outro lado rua estava prostrada uma outra senhora, que atravessaria a rua e dois meninos, que brincavam de algo que ainda não consegui discernis o que era.
Após a delicadeza de ajudar essas duas senhoras, o senhor atravessa a rua, todos juntos em passos bastante vagarosos, e para ao lado da outra senhora sem dizer nada, apenas para ali e espera o momento certo, e eis que ele o chega - perto de minha casa existe uma obra que a prefeitura já se tarda em acabar, e que faz com que maquinas de tamanho bastante avantajado circulem de um lado a outro - a senhora coloca-se a caminhar e o senhor sem dizer nada ainda a acompanha até outro lado da rua (devo acrescentar aqui que parei e observei a cena até seu desfecho) e quando a senhora já encontrava-se na calçada no outro lado, virando-se meio envergonha, acredito eu pela expressão em seu rosto, solta um sorrizo singelo e um obrigado satisfeito, o senhor sem responder nada diz com um outro rizinho reciproco "de nada" e volta-se ao destino dele.
Eu ali parado a cerca de cinco ou seis passos dessa cena me vi realizado, não por ele ter feito isso, mas por ter visto em seu rosto e em suas atitudes que aquele obrigado tornou-se "um nada" perto da satisfação demonstrada e do seu orgulho em ter feito algo, que para muitos é uma bobagem, mas que para ele foi um "ato de amor ao próximo". Esta cena não durou mais que três ou quatro minutos, mas encheu olhos de felicidade e preencheu meio peito com algo que já havia perdido, a Fé pelos Homens, queria eu que existissem vários iguais a tal senhor, e que esses também tomassem essas atitudes na política, nas academias, nas lojas, grandes centros...
Não quero dizer aqui que tal acontecimento irá mudar minha vida, pois muitas vezes nem mesmo eu sou capaz de tamanha grandiosidade, mas com toda certeza a realização de fazer bem a outro me satisfaz em alegrias.
Hoje com toda certeza vi minha Fé é renovada nos atos dos Homens, e mais que isso, vi que ainda somos capazes de fazer bem e/ou o bem, pois se conseguimos em um único homem fazer tal ato de desprendimento e carinho, por qual motivo todos nós não seriamos capazes fazer????

terça-feira, 2 de junho de 2009

Só uma coisinha singela.



















Duas coisas me fazem feliz, na verdade são bem mais que duas, porém essas duas são a "razão" da minha "loucura", e não existe um mundo perfeito sem elas pra mim. A primeira é o amor, ou como sempre preferi pensar "minha real noção de musa", e a segunda é o que nem sempre consigo fazer de forma satisfatória pra mim, que é escrever.
Não sei exatamente como as pessoas conseguem viver e/ou sobreviver sem ambas, só sei que pra mim a vida se resume em quase todo tempo a essas coisas, descobri depois de muito tempo que não sei passar pela vida sem um amor verdadeiro, e assim também descobri como é amar de verdade, não amar com carne, mas amar por amor, sem me preocupar se vai ser reciproco ou não vai, o que vai fazer a diferença é o sentimento que tenho, pois posso amar muitas pessoas de diferentes formas, como amo meus amigos, como amo minha família, meu trabalho... porém nenhum desses amores me inspira mais que uma determinada pessoa, que faz cerca de cinco anos - bastante tempo - que está ao meu lado, e sinto hoje que é graças a essa bênção que tenho momentos de inspiração tanto no trabalho quanto na minha intimidade.
Sei que mais uma vez estou sendo repetitivo e dizendo de outra forma aquilo que já escrevi inúmeras vezes aqui, mas o que pode ser mais importante que amar as pessoas???
Não imagino nenhuma resposta plausível, nem mesmo um argumento sustentável, o amor é a pedra fundamental, e sinceramente não vejo "poder", "dinheiro" ou mesmo qualquer outra coisa que possa substituir isso, embora eu conheça e tenha convivido com isso a minha volta, não consigo concordar (sim, sou romântico).
De qualquer forma nada tem mais valor que amar um outro alguém, seja em que ponto do amor estamos incridos, matrimonialmente, amigavelmente, profissionalmente...
O desabafo aqui é meio impróprio, mas nunca me senti tão inspirado quanto me sinto amando.

Na volta pra casa.















Se te perdes em febril ardor,
e de amor voltares da cova...
se voltares a ver amores, ama e volta
sem relembrar a morte.

Se em amor te veres perdido,
lembra que amas agora, não antes
nem depois, mas nesta hora
se a morte não permitir voltares...

E em amor perdido ficares...
lembra da hora marcada,
das flores agora pousadas

E que teu amor não jaz em teu leito,
nem ao teu lado gelado
mas em teu peito lotado.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Balada do caixão
















O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte,
Ponteia e cose, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda sorte:
Mogno, debruados de veludo,
Flandres gentil, pinho do Norte...
Ora eu que trago um sobretudo
Que já me vai aborrecer,
Fui-me lá, ontem:(era Entrudo, Havia imenso que fazer...)
-Ola bom homem quero um fato,
Tem que me sirva? - Vamos ver...
Olhou, mexeu na casa toda.
-Eis aqui um e bem barato.
-Está na moda? - Está na moda.
(Gostei e nem quis apreça-lo: muito justinho, pouca roda...)
- Quando posso mandar buscá-lo?
- Ao pôr-do-sol. Vou dá-lo a ferro:
(Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)
Ó meus Amigos!Salvo erro,
Juro-o pela alma, pelo céu:
Nenhum de vós, ao meu enterro,
Irá mais dândi, olhai! do que eu!

Devo confessar minha parca sabedoria e conhecimento sobre esse autor português, assim como também devo dizer que esse poema, em particular, embora bastante mórbido, também é bastante expressivo. Nada como ter um António Nobre.

domingo, 17 de maio de 2009

Mais alguns Detalhes
























































Por ventura de ser.

Não é tempo de sermos medíocres,
vamos levantar a daga afiada ,
as mãos em punhos serrados;
deixemos de ser fracos e torpes .

Neguemo-nos a essas putas ,
também a seus filhos ridículos,
levantemo-nos bravamente;
que seja restaurado o poder.

Povo não se subestime,
é tempo de mostrar quem somos;
lutai ó povo outrora apequenado.

Não abdiquemos nosso poder,
tomemos aquilo que é nosso;
ao povo flores, ao resto morte.


Procuro sempre manter uma relação entre a palavra e a imagem, mas ao escrever esse poema, e que posso dizer que não é justo chama-lo de soneto, não encontrei nenhuma imagem que por ventura ilustrasse a indignação ou mesmo perplexidão que sinto de fazer parte desta terra, já tão moribunda e fraca de gente, para mais uma vez levantar e lutar. Não quero incitar e/ou fazer qualquer apologia, mas até quando vamos baixar a cabeça e os punhos, até quando será tempo de nos deixarmos envergonhar por uma política feita por ladrões e/ou abostados, não digo isso por sermos gaúchos ou brasileiros, digo por sermos "Povo".
Voltou o tempo em que devemos lutar contra os diretores mesquinhos, as autoridades envelhecidas pelo poder, as falsas leis, as falsas religiões, aos falsos homens, deveríamos ter vergonha de quem somos por aceitarmos a religião que o "Estado" e o "Direito" nos impuseram. Sou muito mais que bairrista ou patriota, sou um ser vivo em pleno estado de letargia por ter minha mão riste em quanto outros encontram-se de cabeça baixa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Nada é mais explicativo.















Bom já falamos sobre Amor, sobre alguns Detalhes, sobre Páscoa, Religião e outras coisinhas mais, por tanto hoje é dia de falar de "nada", ou melhor "sobre nada".
Bom não sei o que acontece com outras pessoas, mas eu acredito que na verdade não existe o "nada", pois isso que chamamos "não fazer nada" é o que nos constroi, e justamente isso que nos dá uma identidade, pois vejamos isso dessa forma:
Fazer nada é justamente construir quem somos, se estamos parados observando, estamos pensando e construindo uma opinião sobre o que observamos, se estamos com nossos pares estamos "namorando", estamos construindo a relação, e refletindo sobre ela, se estamos nos dirigindo para algum lugar, não caminhamos apenas, mas estamos fazendo um caminho previamente escolhido, e essas coisas dizem muito de nós.
Algum tempo atrás comecei a escrever um pequeno ensaio ficcional sobre a vida de um casal, que na verdade não fazem nada, o homem trabalha - na sua opinião muito, mas pouco para o que ele realmente quer - a mulher tem seu trabalho também, mas ambos sabem, ou não, que o que eles realmente fazem durante suas vidas é rotina, ou seja, eles se controem através dessas pequenas coisas que não dizem "nada". Obviamente que existem outras coisas na historia, mas são fragrâncias, nada que realmente tenha um grande impacto na vida de qualquer um, só que é justamente isso que faz a diferença, pois a rotina, o nada, e o detalhe estão muito próximos em determinados momentos.
Nessa ficção existem apenas dois acontecimentos extraordinários, o primeiro é a chegada de um doente no hospital onde o homem trabalha e o segundo é a "gravidez" da mulher, a principio nada disso tem uma relação continua ou mesmo fragmentada, mas é justamente isso que une os acontecimentos, pois não existe - na minha opinião - outra coisa se não o nada que faz e/ou dá sentido a vida das pessoas. Estamos a tanto tempo esperando o acontecimento do ano, que não reparamos nos acontecimentos mais banais de nossa historia, não notamos o "nada" de nossas vidas e o milagre se perde, o detalhe se esvazia, e o grande acontecimento se torna fugaz, pois quando ele chegar o que vai garantir sua real importância?
Vamos estar a tanto tempo querendo isso, que quando ele chegar pode ser que nem notemos, ou então que ele chegue, que a gente note, mas que ele não vai ter mais nada pra nos falar quando acabar, e desta forma vamos ter esperado o que??? O fim, ou vamos ter esperado que alguma coisa aconteça que nos mude depois?
É a historia do vestibular, quando estudamos para isso - e digo por mim - queremos passar e quando passarmos vamos ter uma vida diferente, nossa vida vai mudar, engano minha gente a vida vai continuar a mesma, nada de especial vai realmente mudar, mas é isso que faz a diferença, pois não deveríamos esperar por isso como se realmente nossas ações futuras dependessem disso, não quero dizer com isso que devemos ser passivos, mas pensem, o que faz nossas vidas mudarem, o que nos faz ter aquela ideia milagrosa, ou mesmo aquilo que nos trás a alegria das coisas???
É justamente o "nada", é o acontecimento cotidiano, é o detalhe mais improvável, o olhar mais despropositado, por isso começo a pensar que a melhor maneira de se construir qualquer coisa é a partir do "nada".